quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

cor de avelã.


e quem poderia dizer que aquele menino(nerd) alto e magro com um enorme sorriso desconcertado e metálico(na época), que ao olhar inicialmente me causou tamanho transtorno que me confundiu a mente.e enquanto minha mente confusa o admirava , ele, ocupava-se em me repugnar ou apenas sentir-se indiferente ao que vinha de mim. mas que permitia que eu me aconchegasse em seu braço e isso me permitia ouvir as batidas de seu coração. quem diria que um mês faria tanta diferença em tantos anos. e tantos anos mudassem o que começou em um mês. ah!o tempo é realmente algo que não podemos compreender ou sequer acompanhar. tempo esse que nos deu espaço para nos conhecermos,para que sua repulsa em uma linha tênue se transformasse em carinho, carinho esse que foi aumentando gradativamente.tempo para que eu pudesse quebrar os muros de frieza,insensibilidade e principalmente de mistério que o cercavam. quem poderia dizer que aquele que abominava manhas e coisas românticas fosse não só se apaixonar por alguém que é romantismo e manha puros e além disso seria tão incrivelmente atencioso,amável e carinhoso.
quem diria que aqueles olhos brilhantes e imensos iriam olhar tão derretidamente pra mim enquanto você solta seu sorriso desconcertante. e quem diria que uma simples pergunta iria nos aproximar tanto,e isso desencadearia um afeto e uma necessidade um do outro tão grande. quem iria dizer que nós iríamos sentir mais que vontade de beijo,que iríamos querer estar abraçados,e conversando,e perto ,e juntos, e sentiríamos tanto a falta um do outro.e quem pode dizer que tão diferentes não nos completamos muito bem?! posso dizer que somos felizes porque fazemos um ao outro feliz independente do que somos,mas pelo que sentimos. e mais uma vez,cito o tempo,esse que embaralhou um mês em anos,esse que pouco importa para nós agora que estamos juntos e felizes. a nossa felicidade independe do tempo,mas do sentimento.sentimento esse que cresce em nós ainda.ambos tão bem-vindos quanto inesperados no momento em que chegaram em nossas vidas; sempre sentimos,pessoas num todo, vontade de ser eternamente feliz, mas  o tempo é dono de si e singular.algo só é eterno se vivido todos os dias,um dia de cada vez. a felicidade muitas vezes é buscada em qualidades e proximidades.posso dizer de nós,que somos  sim,oposição.mas também  felicidade.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

inesperado.


assim que o vi, me pareceu tão encantador. claro, calmo e sensual. admito que é extremamente atraente com seu belo corpo (esguio e muito bem definido); o rosto bonito , incomum(com traços finos) e o cabelo liso,   reluzente ao sol, sempre bagunçado. mas a verdade é que o que me faz olhar pra você, e querer me aproximar desde a primeira vez, é o seu olhar. um olhar duro, frio, distante. não me derrete, não me alegra. mas me intriga.  me conecta. me envolve de uma forma a querer entende-lo e suavizá-lo.o que o deixa tão impenetrável? o que o levou a ficar assim? posso ver claramente um brilho em seu olhar frio que me deixa ao menos notar que essa não é a sua natureza... mas não sou atraente o suficiente para chamar sua atenção. e sua frieza (sempre) me mantém distante. apenas observo e tento entender por que não devo ou posso me aproximar. suas palavras indelicadas, seu olhar torturantemente gélido incomodam, às vezes, mas não o suficiente para me fazer desistir. eu tento. eu gostaria de poder. mas algo dentro de você me envolve. e você não vê.  talvez, um dia, note minha curiosidade,minha necessidade em conhece-lo ,de verdade, saber o que há por trás de sua capa extremamente resistente(e que provavelmente esconde uma grande dor dentro de si) .talvez não queira isso, não queira que alguém chegue tão perto e o desvende, e o entenda... e o ame.

quinta-feira, 15 de março de 2012

efêmero.

    -Respirar fundo! - este foi o primeiro e quase instintivo pensamento que lhe veio a cabeça após perder o fôlego, e com ele os pensamentos (e o não admitido coração). Recobrando a consciência do resto do mundo e de si mesma, voltou a escutar a música que tocava aos seus ouvidos e não fora notada durante aquele breve/intenso segundo (?) - ao menos lhe pareceu um segundo, eterno.
    E quando voltava a si , seus pensamentos a traíram e foram de encontro ao coração.Bastou recordar aquele olhar ( por outras vezes o sorriso, a voz, o rosto ...) para não ter mais controle sobre seu olhar cintilante e a incessante batida mais forte que o habitual.
   Sabia que sintomas eram esses , sabia a doença que tinha. E odiava a si mesma por não se prevenir de forma eficaz. - Ora, como posso estar sentindo isso?! Nunca quis,procurei ou sequer permiti! - pensava,culpando a si. Até que sua raiva daqueles sintomas a dominou, e a culpa passou a variar de alvo, sobrando para todos e qualquer um que aparentemente demonstrasse estar... naquele estado.
   Por que aquilo a controlava?! Por que tão bom, tão lindo e tão feliz? Não! Aquilo não era saudável. Aquilo ia doer, ela sabia , ela via a dor dos outros. Que imensa completude e sorrisinhos eram aqueles que a invadiram? Afinal,eles surgem de dentro ou vêm de fora? Por onde chegou? Ela não viu. Perdeu a si mesma e ao resto do mundo sem ter porquê, sem poder pensar em dizer não. E agora? Que faria?
   Levantando ainda em choque de sua cadeira, se encaminha para a porta, desce as escadas e vai. Para onde, não importava, pois ia com o seu inesperado guardado dentro de si,e pela primeira vez pronunciou a tão indesejada - por ela- frase: sinto que estou apaixonada.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

sonhando acordada


meus olhos se abriram.
lá fora,tudo era cinza e molhado.
e enquanto admirava todos aqueles cinzas e brancos
-antes que eu pudesse levantar-todas aquelas palavras,
a entonação com que elas eram ditas,
os sorrisos por trás delas,
a leveza transpassada em seu falar.
e tudo fluía tão natural e calmamente,
como se a cumplicidade estivesse ali há anos.
ela não tinha nem um.

o sorriso no olhar não visto,
era sentido.
a incessante e crescente sensação inebriante
de felicidade transmitida por aquela voz,
aquelas palavras,
aquela conversa.
era tudo tão certo . encaixava-se perfeitamente.
nada parecia mais certo que aquilo.
não havia poucos minutos que cessaram,
havia horas.
Ainda assim , cada palavra era relembrada,
era ouvida em sua encantada mente,
e ainda causavam todo o constrangimento,
sorrisos inotados,
tão inigualável momento,
trazia consigo a sensação de ser completo.
como se fosse real.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

celeste (cont.de uma nota,uma cortina,um olhar)

. . .-Já que indelicadamente a acordei,faço questão de oferecer-lhe ao menos um café da manhã. já estava indo preparar o meu.entre por favor. - e aponta para a direção onde ela devia seguir.
 Ela não conseguia pensar muito ainda, mas respondeu : Tudo bem. Obrigada.
Ela passou a observar melhor o ambiente em que estava. Era um lugar extremamente claro. Tudo ao seu redor era pálido e muito iluminado.
Ela reparou que o lindo piano de onde saía a inebriante melodia, era um piano de cauda, branco e reluzente. Tudo era branco, ou extremamente claro. Desde as extensas janelas que se espalhavam tomando quase toda a parede lateral direita e parte da parede ao lado. O sofá, onde se sentou, assim como as janelas, era grandioso, alvo e iluminado. Havia a sua frente uma pequena mesa-de-centro, apenas portando um singelo vaso com genistras (naturalmente,eram brancas). Nas duas prateleiras e no pequeno móvel ao lado delas, estavam alguns livros e um aparelho de som ( antiquado o suficiente para possuir um toca-discos ) charmoso, como costumavam ser os mais antigos. Não possuía t.v. ou qualquer tipo de aparelho que não fosse o toca-discos. Era um lugar incrivelmente obsoleto, calmo e pacífico. Jamais viu nada como aquele cômodo.
-Prontinho, aqui está nosso café. - diz ele pondo sobre a pequena mesa à frente deles uma bandeja inacreditavelmente com sucos de morango, pessegos frescos e algumas torradas com peito de peru ( exatamente o café da manhã que sua mãe costumava lhe preparar . será que ele algum dia reparou? pensou ela tentando entender. )
-Está asustada com algo? Me desculpe, não gosta deste café?-
Ela atônita apenas acena que não e se põe a comer. Ele sorri despreocupado então.
-Não me apresentei ainda, me desculpe. Sou Benjamin.- e um belo sorriso a estonteou novamente.
Minutos depois de ter recobrado seu normal, disse : Prazer em conhecê-lo. Sou Meg.
De repente ele se levanta, pede licença a ela e se põe a tocar.
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Sentado a poucos metros de mim. Eu mal o reparo. Senão pelo fato de seu rubor repentino a cada vez que seu olhar cruzava com o meu sem querer.
Ouço uma melodia, olho para o lado e vejo. Seus dedos suavemente tocam as brancas teclas, por vezes as pretas, formando sons que despertam não só minha atenção como um sentimento indescritível. Aquela linda melodia entranhou em minha mente, disparou meu coração e me fez perder o ar em questão de segundos.
aquele rosto, aquela pele pálida que reluzia como seu ambiente. Era magnífico,estonteante? Sim, mas era mais. Era celestial.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

você

vozes vindas da tv,o ronco de uma moto,o barulho da chave, e à meia luz,os livros em cima da bancada.as letras se embaralhavam em minha mente.eu lia mas não via.e o que me incomodava não era o cachorro que latia,nem a tv,nem nada do lado de fora.o que me embaralhava as letras,era o nó na garganta,era o grande aperto que meu coração sofria naquele momento,era aquele pensamento.dizia pra mim mesma que era cansaço,que precisava dormir,tentei faze-lo,mas o aperto,o arfar,as voltas que minha mente dava não me permitiam.
voltei para a escrivaninha,olhei de novo para as letras embaralhadas,me esforcei.abri um vão em minha mente,e consegui.finalmente li um paragrafo,ou seria uma frase?não sei.o vão aberto em minha mente logo se fechou e não consegui mais me focar naquilo.depois de alguns minutos,ou horas(?),eu cansei das tentativas,decidi ouvir os ruídos da tv mais de perto.quando dei por mim,os pensamentos estavam todos ali,novamente,acompanhando cada olhar apaixonadodos mocinhos,cada demonstração de desejo entre os vilões.cada abraço entre os amigos,cada dia bonito que aparecia,cada sonho que eu tinha...quando dei por mim,meus olhos se abriam,a cortina abrandava o sol matinal.e mais uma vez,acordei(eu durmi?eu não vi).e voltou.o aperto,a não concentração,o arfar,o pensar completa e somente...em você.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

vazio

a lua brilhava pálida e intensamente sobre a calma água.o céu,extremamente escuro com seus pontos luminosos que quase sumiam perto do brilho da lua.aquela lua que jamais vira brilhar tanto quanto naquela gélida noite.ela tremia,mas não conseguia sair dali e parar de admirar a noite,e o brilho da lua.de repente olhou para si,tão pálida e tão sozinha quanto a lua.todos aqueles intensos raios da lua,que não pertenciam a ela.o que mais admirava na lua não era só dela.ela precisava de outro para brilhar daquela forma.e naquela noite gélida notou,então,pálida e só ,que ela não  possuía o(um) sol...