quarta-feira, 22 de abril de 2026

via

Uma experiência, um experimento. Uma clausura. Uma elevação. Um encantamento. Lá, a preocupação não a alcançava. Apenas a calmaria, o sussurro, a respiração.Ao sair da cápsula, a realidade a alcançou e com ela, a dor lacerante que a muito não a via. A cruz.

terça-feira, 30 de novembro de 2021

O Pêndulo



  A estrada, lisa, plana, plena, vai levando sem saber pra onde, até  voltar. Forma-se o círculo,  e a estrada a não  parar. 


  O liso não  conservado deu lugar às  erosões, às  rupturas, mudou-se o caminho.


   E quando tudo parecia círculo,  ficou pendular. Os contornos ganharam um ar pontiagudo, que de ar tornou-se crível o suficiente para transformar a figura. A estrada, antes calma e eterna , seguiu pelo caminho tortuoso até  a ponta do pêndulo, e circulava então,  na ponta, equilibrando-se ao fim (do  pêndulo).


  E ali manteve-se então o novo caminho, ainda circular, contudo  obtuso,  pontiagudo, arriscado.



sábado, 26 de janeiro de 2019

O sexto ano


Passaram-se o resto de uma graduação, algumas perdas, alguns cursos, um noivado, uma adoção, e com eles, seis anos. Dentro deles me envolvi, mergulhei, me perdi, e longe me mantive do que tenho por devoção. Minha escrita. Após escolher uma graduação em prol dela, e me desiludir descobrindo que não me preparam para ser escritora na Letras ( e no fundo tenho pra mim que em lugar nenhum encontraria o que buscava).  Com tanta leitura, tantos trabalhos, tantos saberes, tantas imposições, me rendi. Deixou de ser prazer, deixou de ter lazer. E assim, passei o tempo focando no que qualquer bom adulto deve: em estudar e ter um emprego. E agora, tendo conquistado ambos ( ainda que queira e pretenda continuar os estudos), me vi impelida a voltar. Aqui deposito palavras que descrevem o que sinto e vivo e que, espero, sejam de serventia aos que lêem.


quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

cor de avelã.


e quem poderia dizer que aquele menino(nerd) alto e magro com um enorme sorriso desconcertado e metálico(na época), que ao olhar inicialmente me causou tamanho transtorno que me confundiu a mente.e enquanto minha mente confusa o admirava , ele, ocupava-se em me repugnar ou apenas sentir-se indiferente ao que vinha de mim. mas que permitia que eu me aconchegasse em seu braço e isso me permitia ouvir as batidas de seu coração. quem diria que um mês faria tanta diferença em tantos anos. e tantos anos mudassem o que começou em um mês. ah!o tempo é realmente algo que não podemos compreender ou sequer acompanhar. tempo esse que nos deu espaço para nos conhecermos,para que sua repulsa em uma linha tênue se transformasse em carinho, carinho esse que foi aumentando gradativamente.tempo para que eu pudesse quebrar os muros de frieza,insensibilidade e principalmente de mistério que o cercavam. quem poderia dizer que aquele que abominava manhas e coisas românticas fosse não só se apaixonar por alguém que é romantismo e manha puros e além disso seria tão incrivelmente atencioso,amável e carinhoso.
quem diria que aqueles olhos brilhantes e imensos iriam olhar tão derretidamente pra mim enquanto você solta seu sorriso desconcertante. e quem diria que uma simples pergunta iria nos aproximar tanto,e isso desencadearia um afeto e uma necessidade um do outro tão grande. quem iria dizer que nós iríamos sentir mais que vontade de beijo,que iríamos querer estar abraçados,e conversando,e perto ,e juntos, e sentiríamos tanto a falta um do outro.e quem pode dizer que tão diferentes não nos completamos muito bem?! posso dizer que somos felizes porque fazemos um ao outro feliz independente do que somos,mas pelo que sentimos. e mais uma vez,cito o tempo,esse que embaralhou um mês em anos,esse que pouco importa para nós agora que estamos juntos e felizes. a nossa felicidade independe do tempo,mas do sentimento.sentimento esse que cresce em nós ainda.ambos tão bem-vindos quanto inesperados no momento em que chegaram em nossas vidas; sempre sentimos,pessoas num todo, vontade de ser eternamente feliz, mas  o tempo é dono de si e singular.algo só é eterno se vivido todos os dias,um dia de cada vez. a felicidade muitas vezes é buscada em qualidades e proximidades.posso dizer de nós,que somos  sim,oposição.mas também  felicidade.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

inesperado.


assim que o vi, me pareceu tão encantador. claro, calmo e sensual. admito que é extremamente atraente com seu belo corpo (esguio e muito bem definido); o rosto bonito , incomum(com traços finos) e o cabelo liso,   reluzente ao sol, sempre bagunçado. mas a verdade é que o que me faz olhar pra você, e querer me aproximar desde a primeira vez, é o seu olhar. um olhar duro, frio, distante. não me derrete, não me alegra. mas me intriga.  me conecta. me envolve de uma forma a querer entende-lo e suavizá-lo.o que o deixa tão impenetrável? o que o levou a ficar assim? posso ver claramente um brilho em seu olhar frio que me deixa ao menos notar que essa não é a sua natureza... mas não sou atraente o suficiente para chamar sua atenção. e sua frieza (sempre) me mantém distante. apenas observo e tento entender por que não devo ou posso me aproximar. suas palavras indelicadas, seu olhar torturantemente gélido incomodam, às vezes, mas não o suficiente para me fazer desistir. eu tento. eu gostaria de poder. mas algo dentro de você me envolve. e você não vê.  talvez, um dia, note minha curiosidade,minha necessidade em conhece-lo ,de verdade, saber o que há por trás de sua capa extremamente resistente(e que provavelmente esconde uma grande dor dentro de si) .talvez não queira isso, não queira que alguém chegue tão perto e o desvende, e o entenda... e o ame.

quinta-feira, 15 de março de 2012

efêmero.

    -Respirar fundo! - este foi o primeiro e quase instintivo pensamento que lhe veio a cabeça após perder o fôlego, e com ele os pensamentos (e o não admitido coração). Recobrando a consciência do resto do mundo e de si mesma, voltou a escutar a música que tocava aos seus ouvidos e não fora notada durante aquele breve/intenso segundo (?) - ao menos lhe pareceu um segundo, eterno.
    E quando voltava a si , seus pensamentos a traíram e foram de encontro ao coração.Bastou recordar aquele olhar ( por outras vezes o sorriso, a voz, o rosto ...) para não ter mais controle sobre seu olhar cintilante e a incessante batida mais forte que o habitual.
   Sabia que sintomas eram esses , sabia a doença que tinha. E odiava a si mesma por não se prevenir de forma eficaz. - Ora, como posso estar sentindo isso?! Nunca quis,procurei ou sequer permiti! - pensava,culpando a si. Até que sua raiva daqueles sintomas a dominou, e a culpa passou a variar de alvo, sobrando para todos e qualquer um que aparentemente demonstrasse estar... naquele estado.
   Por que aquilo a controlava?! Por que tão bom, tão lindo e tão feliz? Não! Aquilo não era saudável. Aquilo ia doer, ela sabia , ela via a dor dos outros. Que imensa completude e sorrisinhos eram aqueles que a invadiram? Afinal,eles surgem de dentro ou vêm de fora? Por onde chegou? Ela não viu. Perdeu a si mesma e ao resto do mundo sem ter porquê, sem poder pensar em dizer não. E agora? Que faria?
   Levantando ainda em choque de sua cadeira, se encaminha para a porta, desce as escadas e vai. Para onde, não importava, pois ia com o seu inesperado guardado dentro de si,e pela primeira vez pronunciou a tão indesejada - por ela- frase: sinto que estou apaixonada.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

sonhando acordada


meus olhos se abriram.
lá fora,tudo era cinza e molhado.
e enquanto admirava todos aqueles cinzas e brancos
-antes que eu pudesse levantar-todas aquelas palavras,
a entonação com que elas eram ditas,
os sorrisos por trás delas,
a leveza transpassada em seu falar.
e tudo fluía tão natural e calmamente,
como se a cumplicidade estivesse ali há anos.
ela não tinha nem um.

o sorriso no olhar não visto,
era sentido.
a incessante e crescente sensação inebriante
de felicidade transmitida por aquela voz,
aquelas palavras,
aquela conversa.
era tudo tão certo . encaixava-se perfeitamente.
nada parecia mais certo que aquilo.
não havia poucos minutos que cessaram,
havia horas.
Ainda assim , cada palavra era relembrada,
era ouvida em sua encantada mente,
e ainda causavam todo o constrangimento,
sorrisos inotados,
tão inigualável momento,
trazia consigo a sensação de ser completo.
como se fosse real.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

celeste (cont.de uma nota,uma cortina,um olhar)

. . .-Já que indelicadamente a acordei,faço questão de oferecer-lhe ao menos um café da manhã. já estava indo preparar o meu.entre por favor. - e aponta para a direção onde ela devia seguir.
 Ela não conseguia pensar muito ainda, mas respondeu : Tudo bem. Obrigada.
Ela passou a observar melhor o ambiente em que estava. Era um lugar extremamente claro. Tudo ao seu redor era pálido e muito iluminado.
Ela reparou que o lindo piano de onde saía a inebriante melodia, era um piano de cauda, branco e reluzente. Tudo era branco, ou extremamente claro. Desde as extensas janelas que se espalhavam tomando quase toda a parede lateral direita e parte da parede ao lado. O sofá, onde se sentou, assim como as janelas, era grandioso, alvo e iluminado. Havia a sua frente uma pequena mesa-de-centro, apenas portando um singelo vaso com genistras (naturalmente,eram brancas). Nas duas prateleiras e no pequeno móvel ao lado delas, estavam alguns livros e um aparelho de som ( antiquado o suficiente para possuir um toca-discos ) charmoso, como costumavam ser os mais antigos. Não possuía t.v. ou qualquer tipo de aparelho que não fosse o toca-discos. Era um lugar incrivelmente obsoleto, calmo e pacífico. Jamais viu nada como aquele cômodo.
-Prontinho, aqui está nosso café. - diz ele pondo sobre a pequena mesa à frente deles uma bandeja inacreditavelmente com sucos de morango, pessegos frescos e algumas torradas com peito de peru ( exatamente o café da manhã que sua mãe costumava lhe preparar . será que ele algum dia reparou? pensou ela tentando entender. )
-Está asustada com algo? Me desculpe, não gosta deste café?-
Ela atônita apenas acena que não e se põe a comer. Ele sorri despreocupado então.
-Não me apresentei ainda, me desculpe. Sou Benjamin.- e um belo sorriso a estonteou novamente.
Minutos depois de ter recobrado seu normal, disse : Prazer em conhecê-lo. Sou Meg.
De repente ele se levanta, pede licença a ela e se põe a tocar.
      ________________________________________________________
Sentado a poucos metros de mim. Eu mal o reparo. Senão pelo fato de seu rubor repentino a cada vez que seu olhar cruzava com o meu sem querer.
Ouço uma melodia, olho para o lado e vejo. Seus dedos suavemente tocam as brancas teclas, por vezes as pretas, formando sons que despertam não só minha atenção como um sentimento indescritível. Aquela linda melodia entranhou em minha mente, disparou meu coração e me fez perder o ar em questão de segundos.
aquele rosto, aquela pele pálida que reluzia como seu ambiente. Era magnífico,estonteante? Sim, mas era mais. Era celestial.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

você

vozes vindas da tv,o ronco de uma moto,o barulho da chave, e à meia luz,os livros em cima da bancada.as letras se embaralhavam em minha mente.eu lia mas não via.e o que me incomodava não era o cachorro que latia,nem a tv,nem nada do lado de fora.o que me embaralhava as letras,era o nó na garganta,era o grande aperto que meu coração sofria naquele momento,era aquele pensamento.dizia pra mim mesma que era cansaço,que precisava dormir,tentei faze-lo,mas o aperto,o arfar,as voltas que minha mente dava não me permitiam.
voltei para a escrivaninha,olhei de novo para as letras embaralhadas,me esforcei.abri um vão em minha mente,e consegui.finalmente li um paragrafo,ou seria uma frase?não sei.o vão aberto em minha mente logo se fechou e não consegui mais me focar naquilo.depois de alguns minutos,ou horas(?),eu cansei das tentativas,decidi ouvir os ruídos da tv mais de perto.quando dei por mim,os pensamentos estavam todos ali,novamente,acompanhando cada olhar apaixonadodos mocinhos,cada demonstração de desejo entre os vilões.cada abraço entre os amigos,cada dia bonito que aparecia,cada sonho que eu tinha...quando dei por mim,meus olhos se abriam,a cortina abrandava o sol matinal.e mais uma vez,acordei(eu durmi?eu não vi).e voltou.o aperto,a não concentração,o arfar,o pensar completa e somente...em você.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

vazio

a lua brilhava pálida e intensamente sobre a calma água.o céu,extremamente escuro com seus pontos luminosos que quase sumiam perto do brilho da lua.aquela lua que jamais vira brilhar tanto quanto naquela gélida noite.ela tremia,mas não conseguia sair dali e parar de admirar a noite,e o brilho da lua.de repente olhou para si,tão pálida e tão sozinha quanto a lua.todos aqueles intensos raios da lua,que não pertenciam a ela.o que mais admirava na lua não era só dela.ela precisava de outro para brilhar daquela forma.e naquela noite gélida notou,então,pálida e só ,que ela não  possuía o(um) sol...

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

uma nota,uma cortina,um olhar.

aquilo que entra nos ouvidos, que ultrapassa os tímpanos, que está entre um dó e um fá cometidos por um piano. aquilo que entra com as lindas notas é intenso. esvaindo de si e deixando o som penetrar em todo seu ser. aquele som penetra e preenche os vazios que foram deixados dentro. Preenchendo até mesmo seu coração que agora bate calmamente, acompanhando o estado em que sua mente e todo o resto de seu ser começavam a se encontrar devido àquilo. com um grande arfar e de olhos fechados, a sensação era de estar voando, de não haver mais nada abaixo ou nenhum peso sobre ou dentro de si. seguindo apenas a claridade que penetra seus olhos fechados e o som,

abre a cortina e seus olhos; se depara com um azul amarelado de início de manhã. aquele inebriante som que invadiu até o fundo de sua alma a faz segui-lo. instantaneamente veste a primeira peça que encontra na frente. um esvoaçante vestido branco separado para a noite. nada condizente com a situação porém tão magnífico quanto aquele som, ele era tão meigo quanto aqueles brilhantes olhos inebriados de notas musicais. ao ultrapassar a porta e seguir o som, percebe que ele vem da casa ao lado de uma janela entreaberta ao lado da porta. espia por ela mas a cortina não lhe permite ver muito além de habilidosas mãos em um lindo piano preto. uma brisa afasta a cortina e ela não percebe,pois não consegue levantar seus olhos que miravam aquelas mãos. de repente ela percebe que as mãos pararam de tocar. não enxergou mais devido a ebranquiçada cortina. esperando que fosse apenas uma pausa e que pudesse voltar a ouvir aquela linda canção manteve-se ali, debruçada na janela, escondida pela cortina, tentando alcançar melhor as notas que chegaram até sua cama há poucos minutos. a mão tocou então a cortina e a afastou. foi aí que percebeu que as mãos haviam parado de tocar pois seu dono a notou. imediatamente dirigiu seus olhos para cima e encontrou brilhantes olhos azuis fixados nos dela, e ao descer seu olhar viu um constrangido sorriso que deu lugar a um 'perdoe-me,eu a acordei?'. inebriada agora por aqueles envolventes olhos azuis ela não consegue fazer mais do que retribuir ao sorriso...

escrito por :Ana Paula Santos Omar

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

silêncio molhado

a água escorria por seu corpo.gélida e neutra se contrariava ao líquido salgado e quente que impensadamente brotava dos olhos.Tremia,perdia o ar.Mas não era ruim.Isso momentaneamente a fazia esquecer o mundo,todo o mundo,a não ser por si mesma.Não,ela esquecia todo o mundo,ela não era desse mundo,ela não pertencia a ele.ela não pertencia a nada,nem a ela.
retirando os vestígios do resto de mundo que grudava,expulsando-os de dentro.não sabia bem porquê o fazia,mas aquilo era bom e trazia meios sorrisos aos lábios rubros e molhados.
ela decidiu mesclar-se à água,e sentia-se escorrer e esvair,pelo ralo,sentia o frescor,o molhado,o vazio.sentia-se bem.
se esvaindo,aos poucos perdeu o controle de si,não sentia mais seu corpo,não sentia mais ela.não sentia mais nada,além do frescor.ela não sentia mais um vazio.ela era o vazio.ela era o nada.ela deixou de existir...

terça-feira, 12 de outubro de 2010

gotas-

e eu,sentada ali,impregnada em meus pensamentos.Na verdade,um em específico ocupou boa parte de meu ócio tempo.Pensava em como seria bom tê-lo junto a mim nesse momento e poder banhar-me de uma água refrescante,em qualquer lugar que nos permitisse expandir nosso amor mutuamente através de nossas bocas e corpos unidos,fazendo o frio passar despercebido por nós enquanto aproveitamos o fascínio que cada gota proporciona a nós.Tais gotas percebo assemelharem-se a nós - visto que de forma imperceptível aos olhos de quem não sabe enxergar,mas de forma ''passionalmente'' inquietante aos que vêem- muda bruscamente.Ora é suave, lentamente bela;ora é uma tempestade , prazerosamente rápida.Um humor mutável,facilmente mutávele que se faz incomum e surpreendente, ganhando a atenção de quem o percebe com clareza.
Quem consegue assimilar-se a tais gotas,tem um amor verdadeiramente belo e grande o bastante para ver a beleza em cada ato,ainda que antagônicos.
Sorte tem aquele que tem um amor como a chuva.Muitas vezes ela pára,mas continua a se formar e existir,e sempre volta a mostrar-se,surpreendentemente.

Escrito por:Ana Paula Omar

segunda-feira, 12 de julho de 2010

sol,amor&café

O irritante barulho do despertador.5:00 hrs.Como ela havia deixado.Levantou-se.Odiava acordar cedo,mas naquele dia tinha um motivo para sorrir para as estrelas que se preparavam para sumir aos olhos dela e darem lugar as cores e formas da manhã.
Ele dormia parecendo um anjo(clichê,mas não havia outra descrição mais apta àquele rostinho perfeitamente calmo e inocente que era observado).Um beijo suave e terno o acordou.Estava tudo planejado.As estrelas ainda brilhavam quando saíram em busca de um bom lugar para assistir ao céu.Sentaram na areia da praia enquanto o crepúsculo matinal dava lugar ao amanhecer e o sol rapidamente escalava o céu.
A primeira manhã que viu nascer.E dividiu esse momento(um dos mais lindos de sua vida) com ele.Aquele que era o (seu) sol. A recém-nascida manhã ensolarada e a doce sensação que suas cores traziam se refletiam naqueles olhos cor-de-mel que cintilavam a sua frente.O sabor daquele momento naquele beijo.Suas bocas entrelaçadas demonstravam o amor contido dentro deles.O amor se mostrava naqueles olhos,naquele beijo e na bela manhã ensolarada que os contemplava.
Os raios do sol estavam acompanhados do gostinho romântico de abraços com pão-de-queijo e um pouco de café com grandes doses de amor.O dia os espelhava.O sol e os tons leves de azul claro e amarelo-bebê mostravam a pureza e intensidade daquele amor.
O dia era eles.

Escrito por:Ana Paula Omar

domingo, 30 de maio de 2010

as cores da dor.

Roxo profundo e inchado que cobre o olho,vermelhidão em muitas partes do corpo,três costelas quebradas,o gostinho de ferro na boca proporcionado pelo sangue que escorre da gengiva.Final de uma briga,e é isso que se ganha?
-Menina estúpida! - é o que diziam a ela por sua briga e sua conquista com ela.Afinal,o que a fez querer brigar?
Ela tinha conseguido o que queria.Não brigou por vingança,por vontade de matar o outro nem nada parecido.Ela brigou pra sorrir,pra se sentir bem.Nada melhor do que ver estampado no rosto do outro as dores que estão dentro dela-Sua dor que a fazia não deitar em sua cama,sabia que a dor gostava daquela cama e sempre aparecia acompanhada das habituais lágrimas,dos gritos,dos rasgos no peito.Gostava tanto que só ia embora horas depois,quando ela desmaiava de sono (ou desidratação,talvez)-.Tudo bem,ela também tinha estampada em si as marcas.Mas nenhuma dor externa comparava-se aquela que corroía seu coração.Ela conseguiu acalmar aquela impiedosa dor de dentro e fazer curativos em seu coração enquanto fazia o maxilar do outro deslocar,ela sentiu o riso chegando quando revidou o olho roxo no nariz sangrento do outro.Ela só queria tirar aquela dor.Ela queria compartilha-la com a pessoa que pra ela merecia sentir mais dor que ela.Suas costelas dificultavam a respiração,ela não ligava,adaptou-se a isso.A devastadora dor de dentro fazia o mesmo,fazia mais.Ela a queimava,ela a matava lentamente por dentro.
Ela não era agressiva,esquentadinha,ou sequer sabia bater em alguém.Ela só queria ver a dor.Ela só queria tirar a dor.As cores da dor que se mostravam nos corpos a faziam se sentir aliviada.
Ela não estava mais tão morta,e sabia que se continuasse daquela forma tiraria a morte de dentro dela.Ganharia em lugar dela sangue e fraturas.Risível troca,o que eles eram comparados a Sua dor?!

p.s.:inspirado por um texto da Lai ;) obrigada Laai!o/

Escrito por : Ana Paula Omar

terça-feira, 25 de maio de 2010

um pedaço dela

Dormir?não.ela não dormia.ela semi-morria por algumas horas.porque durante seu sono ela não sonhava;ela não pensava;ela respirava.sim,ela respirava.essa era a diferença dela para um morto.ela não ouvia,não sentia enquanto tinha seus olhos fechados.Ela abriu os olhos,não queria,voltar a consciência,e voltar a vida.
Nublado em vários tons de cinzas diferentes,com pouco branco e pouca luz,o céu era ela por dentro.Isso a fez se sentir melhor,pelo menos o céu a entendia.
Levantou.Foi tentar tirar a melancolia do corpo,esperançosa de que saísse junto ao suor com a água quente na redonda louça branca que a acomodava como nada mais ultimamente.talvez como sua cama e o edredom.
Entregou-se à água em busca.de quê?nem ela sabe,mas buscava na água.não queria pensar,decidiu tentar voltar ao estado mórbido que estava em sua cama.Não conseguiu,estava viva demais para voltar ao seu estado inicial.Desistiu.Secou-se,pôs o primeiro tecido confortável que viu pela frente,vestiu-se de alguma coisa preta(ver do lado de fora o que sente por dentro sempre a deixava mais confortável).Foi para a aula observar o céu da janela.Nada a fazia prestar atenção,a não ser o único que se sentia como ela naquele dia.ela decidiu ouvir música alta.o som em seu ouvido a desnorteava.Isso era bom.ela estava em estado de dormência graças a música,toda ela por dentro.Músicas.Elas a entendiam também.diziam o que ela sentia.a batida alta em seu ouvido transpunha a revolta,os gritos eram seus medos e a letra mostrava ao mundo alguém como ela.
De olhos abertos cheios de cinza,refletindo a imagem que ela via,refletindo sua alma.de ouvidos-portas que enchiam seu corpo de compreensão musical.Ela sentia-se com o bastante para amenizar o que vinha de dentro,pelo menos até voltar a seu bom estado de bem-estar-semi-morto.
Quando pode retornar a seu lar e ninguém estava mais por perto,ela chorou.Era tão entorpecente deixar a água cair de seus olhos,levando um pouco da dor.O medo ainda estava ali.Como?O medo dela não ligava para a dor,não era apegado a ela.Não importava a ele que ela estivesse escorrendo na água.Ela pedia pra que ele se importasse e decidisse segui-la.Mas ele não queria saber,gostava do conforto dali de dentro.Nada o fazia sair dali.No máximo,permitir ser deixado de lado e nocauteado pelo som alto que entrava dos ouvidos.
Depois que toda a água acabou,a dor ainda existia dentro dela.Menor,por ora,até ganhar motivos para crescer de novo.Mera ilusão acreditar que toda a água que escorria pudesse fazer a dor não voltar.
Ela sentiu um toque suave em sua face -não percebeu que deixou a porta entreaberta- olhou para cima,conseguiu reconhecer aquele toque,que há tanto não sentia.Ao olhar naqueles olhos afáveis e cheios de um amor que pertencia a ela,recordou-se do motivo pelo qual continuava viva e lembrou o que era sorrir,o que era felicidade.Ela achou ali o que havia procurado na água,e entorpecido a falta na música.
Ela achou ele,ela achou o amor que estava adormecido nela,que tinha sido coberto por seu medo e a dor.
Ela voltou a dormir,a sonhar,a sorrir, a ter vida.Ela voltou a ser dele.

Escrito por:Ana Paula Omar

terça-feira, 11 de maio de 2010

por que não notar?

azul claro esbranquiçado pincelado de pequenos riscos brancos (quase inotáveis) e grande mancha amarelo real.assim estava o céu no entardecer.ele vem acompanhado de refogado de alho com cebola preparado pela mamãe.estúpidas sensações,cores e coisas que estão abaixo de nossos narizes e acima de nossos olhos.então,por que não notar?
cores,cheiros,barulhos.faz tão bem notá-los minuciosamente como se o mundo fosse apenas contido daquilo.Os verdadeiros mínimos detalhes que ninguém olha,que ninguém sente ou ouve.Os cheiros mudam,as cores mudam,os sons mudam,nós mudamos,e continuamos a não notá-los.
Muitas vezes estamos tão ocupados com nossos compromissos ou com nós mesmos,nossos vícios,amigos e preocupações que não notamos quão lindo é o céu,as folhas e cada corzinha ao nosso redor seja ela da borboletinha invisível a seus ocupados olhos que passou do outro lado da rua,ou da arvorezinha que você tropeçou na raiz exposta no meio da calçada e xingou.
Proponho que após ler isso tente,apenas tente,olhar pro céu e diagnosticar todas as cores que há nele.cada tom de cinza,azul,amarelo ou vermelho.e que sinta o cheiro da chuva,da comida da mamãe,do orvalho da madrugada e de muitas coisas mais que nunca são percebidas.Coisas que poderiam e devem ter importância,porque nos lembram a perfeição de cada detalhezinho do ambiente ao nosso redor.que nos fazem ver como somos bobos por nos importarmos apenas com nós mesmos e acharmos que somos muito,quando na verdade há coisa muito mais grandiosa que a gente acontecendo e vivendo ao nosso lado.
Nada dessa balela de ''plante uma árvore'',fique a vontade pra plantar se tem vontade,mas o mais importante não é que você compre uma semente e a ponha no vaso.eu proponho que cuidemos da ''árvore''.se quer melhorar algo,não plante simplesmente,cuide da planta,olhe pra ela,lembre-se dela.e lembre-se de sempre olhar pra cima.porque há cores muito mais bonitas e diferentes no céu do que dentro de você.;)
*texto feito especialmente para a linda e irmãzinha, Nanna!;)
Escrito por:Ana Paula Omar ;)

segunda-feira, 10 de maio de 2010

amor-de-amigos

Sorriso,vontade de abraçar...choro,segredos,conselhos,adivinhação,alto grau de conhecimento sobre o outro.compreensão do olhar. Sentimos falta,vontade de estar perto. Amor.Sim,isso e muito mais é o que encontramos quando sentimos amor.Mas não amor de namorado simplesmente,essa é a mescla densa e verdadeira que achamos entre aqueles que denominamos Amigos.Estejam longe,do lado,sorrindo,brigando,fazendo besteira ou brigadeiro,nós sentimos isso tudo por eles e eles por nós.Uma amizade verdadeira requer amor verdadeiro.Daqueles que ultrapassa mudança de onde foi estudar,morar ou de jeito de ser.Daqueles que está pronto pra brigar se a pessoa estiver fazendo algo errado ou que a faça mal.Daqueles que ultrapassa ciúmes bobos mas que pede por eles pra saber que a pessoa se importa e te quer por perto.Amor que não acabe quando acaba o ensino médio,ou quando você simplesmente não encontra mais a pessoa com tanta constância.Amor aquele que resiste a saudade,que sente saudade,que está prestes a segurar a mão e levantar o outro no momento exato.Amor de amigo é o que eu sinto pela Lola(A irmãã),pela Lê(pelas Lês!Xavier e Santos^^),pela Mah,pela Chelly,pela Loly,pela Nanda(aquela que me inspirou a escrever este texto e me acompanha desde que fui morar na Ribeira!^^),pela Dry,pela Nanna,pelo Ro,pela Cih,pela Cah(paranaense lindaa^^),pela Kah(que conheço a pouco tempo mas que sabe que pode contar comigo^^),pelo Mark(O irmão!^^),pelo Masson(meu lindiinho),pelo PH(o Jake,o MEU Jake^^rs ),pela Juh(irmã sumida rs),pelo Sérgio(cunhado/amigo^^),pela Jess(parte de um dos meus trios de irmãs^^),pelo Hugo,pelo Aleex(pouco tempo,muita coisa em comum =D)pela Manda,pelo Bruno,pela Mandinha,pelo Lipe,pelo Júlio,pela Day,pelo Gus,pela Fran,pelo PC(amigo/cunhado^^rs),pela Bella(minha lindaa e filhotinha^^),pela Nah(a futura madrinha rs),pela Deeia(amiga das cartiinhas rs),pela Yumi,pela Ana,pelas Kels(Rachel,Carolen),pela Lo,pela Prisk,pela Bianca,pela Sthephy,pela Su,pela Lai,pela Duda,pela Caroli^^,pela Camila,pela Clara(a nova amiga que conheci no marco polo de piscina;D)pela Carol,pela Gil,pela Luu(Luanny),pela Vivii,pela Queren Well rs,pela Sandy(a buxexa;D),pela Dessinha,pela Lu C.,pela Babi,pela Paulinha,pelo Duduuu(meu eterno bebee^^),pelo Riaan^^.
Este texto é simples,e foi feito apenas como um pequeno lembrete a cada um de vocês,ainda que não leiam isso de que eu os amo e sempre penso e estou ao lado de cada um de vocês.Com cada um tenho histórias.Com alguns Muiiiiitos anos e muiiitas histórias,com outros poucas,e pouco tempo.Os amo,a uns mais que outros,mas o bastante pra que jamais sejam esquecidos por mim!E quero lembrar a Nanda,que me inspirou pra fazer este texto,A Lê Xavier e Jess que me inspiraram a começar minha história que sou grata demais pelo incentivo de vocês.E lembrar a todos que agradeço muito pela reciprocidade do sentimento manifesto por mim.
E a quem não esteja nesta lista,ao lerem esse texto,lembrem-se de seus amigos,e da importância que eles tem.Lembrem-se de que devemos agradecer a eles e a Deus por tê-los.É sempre bom lembrar que temos pessoas importantes ao nosso lado e lembrar a elas a importância que elas tem pra gente.
Amizade é que o há! ;)

Escrito por:Ana Paula Omar ;)

Incoerências(outro pequeno devaneio)

Entregue a meus vícios particulares
procurando por um caminho que me leve
pra longe daqui,
pra longe de mim,
que me faça feliz?
não,isto é pedir demais.
Ao menos que me alivie
de minha própria e sórdida vida.
O melhor caminho é o vício,
os vícios,Meus vícios,
que fazem tão bem pro meu rosto
pondo um pequeno e bobo sorriso
nele.
eu sei,ele é corrosivo,
eu sei,ele me afunda.
E sei,é incoerente.
Mas incoerente é ser feliz enquanto vazia por dentro,
Incoerente é ter o amor ao lado e pensar em outro.
Incoerente é ter saúde e não ser saudável.
É falar muito e ser um túmulo de si mesmo.
Incoerente mesmo é pensar na vida quando não se vive.

Escrito por:Ana Paula Omar ;)